JUSTIÇA E ONG FEMINISTA FORMALIZAM O PRIMEIRO ATENDIMENTO DE HOMENS AUTUADOS PELA LEI MARIA DA PENHA NA CIDADE DE SÃO PAULO
Desde setembro último, o 1º Juizado Especial de Violência Doméstica da Cidade de São Paulo e o Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde estabeleceram parceria para atendimento dos homens autores de agressões de acordo com a Lei 11.340/2006 - Lei Maria da Penha.
O projeto-piloto na cidade de São Paulo visa atender e orientar homens encaminhados pela juiza Vanessa Ribeiro Mateus, titular do 1º Juizado, para que o cumprimento da pena seja um processo de reflexão e construção de alternativas ao modelo patriarcal, machista e tradicional. Tal ação está baseada em experiência semelhante ocorrida na cidade de São Caetano do Sul. Durante três anos o Juiz determinava o encaminhamento dos homens para grupos reflexivos semanais de duas horas, por um período de até seis meses. Dos quase 50 homens que passaram pelo grupo, só houve registro de uma reincidência.
Com critérios de inclusão discutidos entre técnicos do 1º Juizado e do Coletivo Feminista é estabelecido período e condições para participação no grupo. Tendo como referência as teorias de gênero, o grupo possibilita a reflexão e o questionamento da violência contra as mulheres. Os grupos contam exclusivamente com a participação de homens que compartilham a formação, as experiências e a reprodução do ser homem. De posse deste enfoque refletem a construção de alternativas para as situações de conflito social, familiar e, principalmente, as que os levaram a ser convocados ao grupo. Também será uma forma de informar à mulher o andamento do processo para que ela saiba o que está ocorrendo.
É há muito sabido que punições e prisões têm pouca eficácia na mudança de comportamento e no combate à violência no contexto familiar contra mulheres e crianças. Oferecer um serviço de atendimento para os homens autores de violência de gênero é apostar na efetiva execução da Lei, concordam os responsáveis pelo grupo reflexivo, o filósofo Sérgio F. Barbosa, e os psicólogos Leandro F. Andrade e Paula Prates.
Justiça e movimento social desde a promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, reivindicam a implantação de iniciativas e ações que possibilitem o questionamento da violência de gênero em todas as suas expressões (física, psicológica, sexual) por meio de propostas sócio-educativas, onde homens autores de violência contra as mulheres, reflitam e se disponham a repensar e contribuir para uma sociedade com relações mais equitativas, solidárias e prazerosas para todos. O Coletivo Feminista sente-se orgulhoso e entusiasmado com a iniciativa e parceria com o 1º Juizado de Violência Doméstica.
Fonte: Lista Racial
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Lançada revista do Observatório da Igualdade de Gênero
A ministra Nilcéa Freire, da SPM, lançou no último dia 17 o primeiro número da Revista do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero que traz artigos e reportagens sobre mulher e poder; mulher nos espaços de decisão e na política, cotas eleitorais, enfrentamento à violência e impactos da crise sobre a vida das mulheres, entre outros temas.
“A publicação é um auxílio para a formulação de políticas públicas e projetos, no parlamento, além de espelhar o que o Observatório pretende se tornar, ou seja, um ponto de interlocução entre todas as instâncias e pessoas que refletem acerca das desigualdades de gênero e atuam no sentido de mudar tal realidade”, afirmou a ministra.
Clique aqui para acessar a revista do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero.
Fonte: Site SPM (http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sepm/)
A ministra Nilcéa Freire, da SPM, lançou no último dia 17 o primeiro número da Revista do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero que traz artigos e reportagens sobre mulher e poder; mulher nos espaços de decisão e na política, cotas eleitorais, enfrentamento à violência e impactos da crise sobre a vida das mulheres, entre outros temas.
“A publicação é um auxílio para a formulação de políticas públicas e projetos, no parlamento, além de espelhar o que o Observatório pretende se tornar, ou seja, um ponto de interlocução entre todas as instâncias e pessoas que refletem acerca das desigualdades de gênero e atuam no sentido de mudar tal realidade”, afirmou a ministra.
Clique aqui para acessar a revista do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero.
Fonte: Site SPM (http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sepm/)
domingo, 20 de dezembro de 2009
Campanha “Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres” comemora seu primeiro ano com o lançamento de um novo site

A campanha brasileira Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres comemora seu primeiro ano com a marca significativa de 50.000 assinaturas de homens de todo o país. Com a adesão de amplos setores da sociedade brasileira que não aceitam a violência contra as mulheres, a campanha entra em seu segundo ano com o lançamento de um novo site.
Além de nova identidade visual, o site traz ferramentas facilitadoras na adesão e união de todos os homens – líderes, atores, cantores, governantes, jogadores de futebol, formadores de opinião e anônimos -, em torno desta campanha de conscientização.
A iniciativa brasileira é parte integrante da campanha global do Secretário-Geral das Nações Unidas “Una-se pelo Fim da Violência contra Mulheres”, apresentada ano passado. Ban Ki-moon convocou governos, sociedade civil, organizações não-governamentais, jovens, setor privado e mídia para tomarem medidas para resolver o problema, por meio de políticas públicas e de ampla atuação da sociedade. A campanha global visa uma mudança cultural, em que a violência contra as mulheres seja responsabilidade de toda a sociedade, inclusive na intolerância e repressão de ações cotidianas de ameaças e agressões às mulheres.
Aumentar este número de assinaturas substancialmente é a razão deste esforço para o qual chamamos todos os homens. “O comprometimento de homens e meninos é fundamental para se chegar ao fim dos abusos contra mulheres e garotas”, diz Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU.
Informação, notícias, entrevistas, depoimentos em áudio e vídeo, blog e pesquisas. O site tem a missão de servir de inspiração para o time de homens engajados e mobilizados pelo fim da violência contra as mulheres. Ainda de acordo com Ban Ki-moon, “os abusos contra mulheres e meninas só será erradicado quando homens e rapazes se recusarem a tolerá-la”. Com dicas que possam ser incorporadas no dia a dia, o site http://www.homensunidospelofimdaviolencia.com.br/ oferece informações para que os homens possam colocar em prática na sua vida diária, em casa e no trabalho.
Esta iniciativa é liderada pela SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), em parceria com o UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), Instituto Papai, Instituto Promundo e Agende – Ações em Gênero e Cidadania.Una-se você também a campanha! Faça parte do time de homens engajados e mobilizados pelo fim da violência contra as mulheres.Acesse o site http://www.homensunidospelofimdaviolencia.com.br/
Além de nova identidade visual, o site traz ferramentas facilitadoras na adesão e união de todos os homens – líderes, atores, cantores, governantes, jogadores de futebol, formadores de opinião e anônimos -, em torno desta campanha de conscientização.
A iniciativa brasileira é parte integrante da campanha global do Secretário-Geral das Nações Unidas “Una-se pelo Fim da Violência contra Mulheres”, apresentada ano passado. Ban Ki-moon convocou governos, sociedade civil, organizações não-governamentais, jovens, setor privado e mídia para tomarem medidas para resolver o problema, por meio de políticas públicas e de ampla atuação da sociedade. A campanha global visa uma mudança cultural, em que a violência contra as mulheres seja responsabilidade de toda a sociedade, inclusive na intolerância e repressão de ações cotidianas de ameaças e agressões às mulheres.
Aumentar este número de assinaturas substancialmente é a razão deste esforço para o qual chamamos todos os homens. “O comprometimento de homens e meninos é fundamental para se chegar ao fim dos abusos contra mulheres e garotas”, diz Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU.
Informação, notícias, entrevistas, depoimentos em áudio e vídeo, blog e pesquisas. O site tem a missão de servir de inspiração para o time de homens engajados e mobilizados pelo fim da violência contra as mulheres. Ainda de acordo com Ban Ki-moon, “os abusos contra mulheres e meninas só será erradicado quando homens e rapazes se recusarem a tolerá-la”. Com dicas que possam ser incorporadas no dia a dia, o site http://www.homensunidospelofimdaviolencia.com.br/ oferece informações para que os homens possam colocar em prática na sua vida diária, em casa e no trabalho.
Esta iniciativa é liderada pela SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), em parceria com o UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), Instituto Papai, Instituto Promundo e Agende – Ações em Gênero e Cidadania.Una-se você também a campanha! Faça parte do time de homens engajados e mobilizados pelo fim da violência contra as mulheres.Acesse o site http://www.homensunidospelofimdaviolencia.com.br/
sábado, 19 de dezembro de 2009
O bracelete

Ela achou que tinha encontrado o homem de sua vida, mas após o casamento ele mudou: era o boxeador que vira no ringue
Na Espanha, a Justiça pode impor aos homens que praticam violência contra Mulheres o uso de um bracelete eletrônico equipado com GPS. Logo que o homem se aproxima da mulher que agrediu ou ultrapassa o perímetro de segurança que a protege -na casa, no trabalho-, o Centro de Vigilância avisa a polícia.
Folha Online
Quando se conheceram, ela achou que tinha encontrado o homem de sua vida. Com boas razões: Pedro era bonito, alto, forte. Muito forte: halterofilista compulsivo, tinha bíceps gigantescos. Ah, sim, e era boxeador nas horas vagas; ela o acompanhou a várias lutas, nas quais ele mostrava uma ferocidade assombrosa, castigando os adversários com uma ininterrupta saraivada de murros.
Esses detalhes poderiam, naturalmente, ter servido como advertência; apaixonada como estava, contudo, ela não dava importância para essas coisas. O importante eram as ternas palavrinhas que Pedro lhe murmurava ao ouvido. Logo depois do casamento, contudo, ele mudou. Algo parecido à história do médico e do monstro, diria ela, depois, à sua advogada. Pedro agora mostrava o seu lado oculto.
Que nada tinha de gentil, longe disso. Ficou claro que era um homem violento, tão violento como o agressivo boxeador que ela vira no ringue. Gritava sem parar, tinha ataques de fúria. Um dia bateu nela. Um tapa apenas, mas era o começo: a partir daí as agressões se seguiram, e logo a moça estava exibindo equimoses, e lábios partidos, e olhos roxos. Coisas que tentava disfarçar com a maquiagem, mas que as amigas, a mãe, as irmãs não tardaram a perceber. Inquietas, começaram a pressioná-la: ela não poderia continuar com aquela situação, tinha de tomar alguma providência, o marido a mataria ou a deixaria aleijada.
Depois de uma surra particularmente violenta que resultou na fratura de uma clavícula, ela finalmente se decidiu: procurou uma advogada e iniciou o processo de divórcio. Coisa que Pedro não aceitava. Alegava que a amava, e, transtornado, disse que, consumado o divórcio, ele se vingaria. Não deu outra. No mesmo dia em que foi dada a sentença judicial, ele a esperou próximo à casa da mãe, para onde ela tinha se mudado, e na rua mesmo deu-lhe vários socos.
Aconselhada pela advogada, ela procurou a polícia. Pedro foi detido e, depois de um mês, liberado, mas com uma condição: teria de usar um bracelete especial, que alertaria as autoridades caso ele se aproximasse da casa ou do lugar de trabalho dela. Funcionou. Ele sumiu. E, depois de um tempo, começou a telefonar. Falava, falava muito, e num tom completamente diferente: garantia que tinha mudado, que agora reconhecia seus erros, e implorava por uma segunda chance.
A verdade é que ela o amava. E, apesar das advertências, aceitou a proposta. Avisou a polícia acerca da reconciliação e voltou para a casa que durante tanto tempo partilhara com Pedro. Ele a esperava com um presente. O equivalente, disse, a um anel de núpcias.
Um bracelete. O mesmo bracelete que ele usara quando era vigiado. Dizendo a polícia que o tinha perdido, levara-o a um joalheiro que o decorara com pequenas pedras preciosas. É o símbolo de que o passado ficou para trás, disse ele com um sorriso, de que estamos iniciando uma nova vida. Nova vida que parece boa, e ela está feliz. Mas às vezes se sente inquieta. Olha para o bracelete e parece ver ali uma algema. Uma algema que agora a aprisiona para sempre.
MOACYR SCLIAR escreve nesta página, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas na Folha. moacyr.scliar@uol.com.br
FONTE CLIPPING DA SPM/Folha de São Paulo
14/12/2009
Na Espanha, a Justiça pode impor aos homens que praticam violência contra Mulheres o uso de um bracelete eletrônico equipado com GPS. Logo que o homem se aproxima da mulher que agrediu ou ultrapassa o perímetro de segurança que a protege -na casa, no trabalho-, o Centro de Vigilância avisa a polícia.
Folha Online
Quando se conheceram, ela achou que tinha encontrado o homem de sua vida. Com boas razões: Pedro era bonito, alto, forte. Muito forte: halterofilista compulsivo, tinha bíceps gigantescos. Ah, sim, e era boxeador nas horas vagas; ela o acompanhou a várias lutas, nas quais ele mostrava uma ferocidade assombrosa, castigando os adversários com uma ininterrupta saraivada de murros.
Esses detalhes poderiam, naturalmente, ter servido como advertência; apaixonada como estava, contudo, ela não dava importância para essas coisas. O importante eram as ternas palavrinhas que Pedro lhe murmurava ao ouvido. Logo depois do casamento, contudo, ele mudou. Algo parecido à história do médico e do monstro, diria ela, depois, à sua advogada. Pedro agora mostrava o seu lado oculto.
Que nada tinha de gentil, longe disso. Ficou claro que era um homem violento, tão violento como o agressivo boxeador que ela vira no ringue. Gritava sem parar, tinha ataques de fúria. Um dia bateu nela. Um tapa apenas, mas era o começo: a partir daí as agressões se seguiram, e logo a moça estava exibindo equimoses, e lábios partidos, e olhos roxos. Coisas que tentava disfarçar com a maquiagem, mas que as amigas, a mãe, as irmãs não tardaram a perceber. Inquietas, começaram a pressioná-la: ela não poderia continuar com aquela situação, tinha de tomar alguma providência, o marido a mataria ou a deixaria aleijada.
Depois de uma surra particularmente violenta que resultou na fratura de uma clavícula, ela finalmente se decidiu: procurou uma advogada e iniciou o processo de divórcio. Coisa que Pedro não aceitava. Alegava que a amava, e, transtornado, disse que, consumado o divórcio, ele se vingaria. Não deu outra. No mesmo dia em que foi dada a sentença judicial, ele a esperou próximo à casa da mãe, para onde ela tinha se mudado, e na rua mesmo deu-lhe vários socos.
Aconselhada pela advogada, ela procurou a polícia. Pedro foi detido e, depois de um mês, liberado, mas com uma condição: teria de usar um bracelete especial, que alertaria as autoridades caso ele se aproximasse da casa ou do lugar de trabalho dela. Funcionou. Ele sumiu. E, depois de um tempo, começou a telefonar. Falava, falava muito, e num tom completamente diferente: garantia que tinha mudado, que agora reconhecia seus erros, e implorava por uma segunda chance.
A verdade é que ela o amava. E, apesar das advertências, aceitou a proposta. Avisou a polícia acerca da reconciliação e voltou para a casa que durante tanto tempo partilhara com Pedro. Ele a esperava com um presente. O equivalente, disse, a um anel de núpcias.
Um bracelete. O mesmo bracelete que ele usara quando era vigiado. Dizendo a polícia que o tinha perdido, levara-o a um joalheiro que o decorara com pequenas pedras preciosas. É o símbolo de que o passado ficou para trás, disse ele com um sorriso, de que estamos iniciando uma nova vida. Nova vida que parece boa, e ela está feliz. Mas às vezes se sente inquieta. Olha para o bracelete e parece ver ali uma algema. Uma algema que agora a aprisiona para sempre.
MOACYR SCLIAR escreve nesta página, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas na Folha. moacyr.scliar@uol.com.br
FONTE CLIPPING DA SPM/Folha de São Paulo
14/12/2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Campanha mostra que violência contra mulher não é só física
A Agência Câmara divulgou o lançamento da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, que neste ano vai mostrar as chamadas “violências sutis”, atos de violência moral, psicológica e de controle econômico, entre outros, que estão tão arraigados que muitas vezes são considerados naturais e não são percebidos como violência, até pelas próprias mulheres.
A Campanha dos 16 Dias é uma iniciativa mundial, que no Brasil é desenvolvida anualmente por uma rede de parcerias, nacionais, estaduais e municipais, que envolve governo, Legislativo e sociedade civil. O lançamento oficial da campanha aconteceu no Salão Nobre da Câmara e foi promovido pelas “bancadas femininas da Câmara e do Senado, a ONG Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento (Agende) e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres”.
A campanha envolve atividades de 25 de novembro a 10 de dezembro em mais de 158 países; no Brasil, a campanha começa em 20 de novembro e vai até 10 de dezembro.
Números
Em pesquisa DataSenado feita neste ano 62% das entrevistadas disseram conhecer mulheres que já sofreram violência doméstica e familiar. Entre os tipos de violência, os mais citados foram a física (55%), a moral (16%) e a psicológica (15%).
Acesse a edição 2009 da Campanha dos 16 Dias
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